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Diretor revela os bastidores de ‘Neymar: O Caos Perfeito’

Documentário sobre o jogador estreou nesta quarta-feira na Netflix.

David Charles Rodrigues nasceu no Brasil, de pai norte-americano, virou diretor no país e agora mora nos Estados Unidos, de onde dirigiu o documentário sobre Neymar, que estreia na Netflix.

Com essa trajetória parecida com a do jogador, ele tem propriedade para tratar o complexo conceito de herói e vilão que o jogador do Paris Saint Germain representa.

Dos Estados Unidos, David Charles falou com Homework e contou detalhes sobre a produção.

Homework – Como documentarista, você é imparcial, mas conte com qual imagem você iniciou e com qual terminou do personagem.

David Charles Rodrigues – Eu entrei no processo sem uma imagem formada, mas, na primeira vez em que fui filmar com o Neymar, observei o quadro dele como o Batman e o Coringa na mesma pessoa, e logo percebi que aquela imagem falava mais sobre o Neymar do que qualquer outra coisa que eu li ou visto. Mas, pelo fato de ele ter o quadro em destaque na sala dele, era um indicativo de que ele tinha autoconhecimento desses dois lados do ser dele. Quando terminei as filmagens, duas surpresas se destacaram: a primeira foi a autenticidade do Neymar, ele não mediu palavras em hora nenhuma, nada do que ele fez foi pensado e calculado. Penso que ele estava no momento de vida em que ele finalmente estava pronto para mostrar todas suas dimensões ao mundo. A outra transformação foi de poder testemunhar o amadurecimento final dele; ele já estava no processo; mas a temporada de 2019/2020 foi a revelação ao mundo de que o Menino Ney que todos conheciam se tornou o adulto Ney, isso virou até ‘hashtag’ e notícia no New York Times.

O Neymar poderia ser o grande herói do Brasil, mas a imagem que tem hoje é mais negativa do que positiva. Por que, na sua opinião?

O Neymar é herói para muita gente, milhões de pessoas, mas acredito que a missão dele é ser a melhor versão dele em campo e não um herói nacional. Sim, ele poderia ser, mas os objetivos dele são outros. O Michael Jordan poderia ter sido nos EUA também, mas essa não era a dele, ele queria jogar bola e ganhar.  Suponho que com o Neymar é a mesma coisa, ele quer ser o melhor Neymar em campo e ganhar o máximo de títulos possíveis, e poder ser ele mesmo fora de campo. Acredito que os sacrifícios de um atleta do porte dele são grandes na vida profissional, e, se se colocar na posição de herói fora de campo, acaba não tendo vida nenhuma. É claro que o trabalho dele e da família com o Instituto Neymar é um grande exemplo da diferença que ele pode fazer na vida das pessoas e espero que isso continue se expandindo de outras maneiras, principalmente depois que ele se aposentar.

Pensa que as atitudes o atrapalham também no reconhecimento internacional? Ou é tudo questão de esforço (ou não) em campo?

Na verdade, o Neymar é mais amado e menos polarizante fora do Brasil. Tirando alguns momentos cruciais como o cai-cai e a tentativa de transferência pro Barcelona que não deu certo, ele não é tão criticado fora do Brasil.

Ele não é perfeito e tem hora que ele cria a própria controvérsia em torno dele, mas, no fundo, penso que ele sabe das consequências e não quer deixar de ser 100% autêntico. É engraçado, o mundo da mídia e do marketing ama venerar a palavra autenticidade, mas, no momento em que uma pessoa não tem filtro e é 100% ela mesma, ela é exorcizada de uma maneira.

Conte algumas curiosidades dos bastidores.

Filmar a passagem de ano dele e dos amigos em Barra Grande daria um filme em si!

A família te deu acesso completo?

Sim. Tive acesso total. Eles realmente se entregaram ao projeto e arriscaram fazer uma série na qual eles não tinham a palavra final. A confiança deles em mim e na nossa equipe foi sem igual.

Como é um dia típico na vida de Neymar?

É muito regimentado. Ele acorda, toma café, malha, treina o dia todo, chega em casa, janta com a família e depois vai jogar vídeo-game ou pôquer com os amigos noite adentro. E no outro dia repete tudo de novo. Os poucos momentos dele saindo de casa e vivendo uma vida glamorosa aposto que representam uns 10% da vida dele.

O Neymar pai é mais benéfico ou mais atrapalha? (Pois no Brasil há a ideia de que ele está por trás da maioria dos erros do jogador)

Julgo que ao assistir à série as pessoas podem responder essa pergunta por elas mesmas. Essa controvérsia é um dos temas centrais do documentário, e é muito mais complexo e cheio de sutilezas do que pensam.

Como é o Neymar quando não está no personagem Neymar?
É o Neymar que você vê nessa série.

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