HISTÓRIAINVESTIGAÇÕES

O papel das mulheres nas diferentes tradições religiosas

Ao longo da história a atuação das mulheres passou por vários momentos, houve épocas em que o gênero feminino foi considerado essencial para a continuidade da vida, tanto quando se tratava de dar vida a outro ser humanos quanto para a produção de alimentos. Pois, associavam a mulher com a geradora da vida e também como a responsável pela fertilidade do solo, para produção de alimentos. Porém, gradualmente essa visão foi sendo alterada, ao passo que a mulher chegou a um momento de ser inferior aos homens, desprovida de muitos direitos e inferiorizada.

É inquestionável a força da presença feminina nas religiões, mas, por outro lado, essa presença quantitativa não é reconhecida nos espaços decisórios do âmbito religioso. Vale lembrar aqui a mensagem do Papa para Jornada da Paz deste ano que denunciou a consideração insuficiente que se dá à condição feminina “nas concepções antropológicas que persistem em algumas culturas, que ainda destina à mulher um papel de grande submissão ao homem, com consequências que ofendem a dignidade de pessoa e impedem o exercício das liberdades fundamentais”. Se pesquisarmos sobre o feminino primitivo e o divino veremos que as primeiras representações da divindade foram de mulheres. Uma grande variedade de vozes tem falado sobre feminismo e religião durante os últimos dois séculos, apesar de as vozes do século XIX e as do século XX estarem separadas por um longo período de silêncio. (…) O feminismo do século XIX não se preocupou “especialmente” com a religião; apesar disso, ofereceu algumas contribuições para essa questão.

Conquistaram o direito de voto, foram eleitas chefes de governos nos cinco continentes, foram distinguidas em todas as categorias dos prêmios Nobel e viajaram até ao espaço. Nos últimos 100 anos, o papel das mulheres na sociedade tem mudado muito, saindo de casa para o mundo do trabalho e conquistando o seu lugar próprio na sociedade atual.

No entanto, nas maiores religiões mundiais, as mulheres continuam a ter papéis secundários, sendo muitas vezes marginalizadas ou mesmo oprimidas pela pressão social que sobre elas são colocadas. Em várias religiões, as mulheres estão impedidas de aceder ao ofício de ministros de culto, em outras não podem rezar ou mesmo entrar em locais de devoção ao lado dos homens. Para entender mais a fundo essas ideias, consideramos as discussões levantadas, e nos propusemos a conhecer duas jovens de diferentes denominações. Por suas falas elas expuseram o que é ser mulher e como a figura feminina é vista nos lugares de adoração. Permita-se conhecer suas histórias.

Nome: Marilene Sales Idade: 43 anos (Profissão): Comerciante Religião: Evangélica

Há quanto tempo você segue esta religião? Marilene: Desde que nasci.

Por que você a segue? Marilene: Porque é tudo em que acredito.

Você comentou sobre uma semelhança de valores entre a igreja e você. Quais valores seriam esses? Marilene: Eu gosto de ser uma pessoa correta e na minha igreja também se prega que eu devo ser uma pessoa assim.

Como você vai à igreja? Marilene: Eu fui ensinada a ir como se eu fosse visitar um rei. Como se eu fosse ver o presidente.

Você já sofreu algum preconceito por seguir esta religião? Marilene: Já sofri tanto lá fora, como na própria Congregação

Nome: Natally D’Andréa Profissão: Jornalista Idade: 29 anos (Religião): Candomblé

Há quanto tempo você segue esta religião? Natally: Sigo o Candomblé há uns 10 anos. Na verdade, cresci na religião porque minha avó já a seguia. Na adolescência me afastei por medo e ignorância. Quando adulta retornei.

Que medo era esse? Natally: Tinha medo do desconhecido. Meu avô era pai de santo. Quando eu ia para as festas via as pessoas incorporadas e não entendia muito bem como funcionava. Tudo isso começou a me assustar. Anos depois minha avó se afastou e acabei virando kardecista. Em um determinado momento minha mãe ficou doente e descobrimos que ela estava com problemas de santo. Ela se aproximou e entrou para o Candomblé. Não aceitei no começo. Mas como minha mãe já havia raspado a cabeça, decidi voltar e estudar mais sobre a religião. Com o tempo encontrei uma casa onde conheci a mãe Lila. Comecei a frequentar lá e levei minha avó comigo. Hoje ela, minha mãe e eu somos da mesma casa de santo.

Por que você segue o Candomblé? Natally: Sempre me identifiquei com a cultura africana. Foi quando comecei a estudá-la que entendi como tudo isso funciona. Hoje acredito na energia dos orixás. Nestas energias da natureza que regem todo o mundo. Eu não escolhi o Candomblé, foi o Candomblé que me escolheu. Tive o chamado do orixá e não me imagino mais longe disso.

Existe algum hábito ou costume que diferencie uma jovem desta denominação das demais. Natally: Acredito que a única coisa que diferencie uma jovem de Candomblé das demais é o fato de estar careca ao iniciar no orixá; como no meu caso. Se tirar o estereótipo que a sociedade põe sobre nós, não existe nada que nos diferencie do restante.

Como você vai ao barracão? Natally: Para irmos ao Ilê as mulheres vestem baiana, saia, camisa, ojá e torço branco. Usamos nossos fios de conta lá dentro. Estes correspondem a seus respectivos orixás e a idade de santo da pessoa que os usa.

 

A vida religiosa era praticamente a única possibilidade de desenvolvimento intelectual para as mulheres daquela época, elas tinham acesso à algum tipo de educação, as bibliotecas e cópias de livros. Enquanto pensavam e escreviam obras, tinham alguma voz, o que as aproxima do feminismo atual é a tentativa de dignificar as mulheres, que tinham a mesma importância que os homens aos olhos de Deus. O que as diferencia é que elas não tinham um projeto de transformação da sociedade do ponto de vista político, mas sim um projeto de transformação interior.

 

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120 Comentários

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